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NÃO MATEM O NÃO, POR RODRIGO ADAMS

Desde muito cedo aprendi a importância do “não”. Ao contrário do que o dicionário defende, “não” não significa negação, recusa. Na minha casa, “não” sempre foi sinal de zelo, carinho, atenção, respeito, ordem. Das lembranças mais antigas que eu tenho, lembro de que para conquistar o “sim”, era preciso entender o “não”.
Em algum momento o “não” perdeu o sentido. Transformou-se em declaração de guerra e afronta. O “não” rompe relações, enquanto, antigamente, significava preservar as mesmas. Vejo muitos questionamentos sobre o uso do “não” na educação infantil.
Já dizia o ditado: “É de pequeno que se torce o pepino.” Veja bem, não estou defendendo uma educação feita em cima do “não”. O que eu acredito é numa educação em que o “não” conforta. Quando ouvir a palavra, que soe como um alerta para a criança, não como um desafio.
“O “não” rompe relações, enquanto, antigamente, significava preservar as mesmas.” 
Infelizmente, o valor da palavra “não” se foi com essa cultura de jogar os filhos nas escolas. Educação se aprende em casa. Escola é local de conhecimento. Pais cada vez mais despreocupados com o que seus filhos fazem por aí também responsáveis pela falta de “não”. Quem não entende o “não” em casa, jamais respeitará um professor. Quem não entende o “não” em casa, jamais respeitará alguém.
Saber interpretar o “não” é saber entender melhor o mundo. Assim, podemos preparar melhor uma geração que está por vir. A nossa geração, de futuros pais, tem um resgate a fazer: usar o “não”. Não o “não” proibitivo. O “não” aconselhador, didático e fraterno.
Se tu acreditas que o papo não é por aí. Não faça uma declaração de guerra contra o “não”. Apenas diga: “Não concordo.” Não é melhor? É. Vida Feliz. Ou não.

Fonte: http://atl.clicrbs.com.br/txt/2015/11/04/nao-matem-o-nao-por-rodrigo-adams/

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